Alta voltagem sobre rodas

14/04/2021

Os fabricantes de automóveis que ainda não têm oferta de carro elétrico estão atrasados. As novidades estão pipocando no mercado mundial sem parar e aqui já começa também. Estão todos se mexendo para não perder esse segmento, cada vez mais concorrido. Seja no formato híbrido, híbrido com plug-in ou totalmente elétrico.

Foi com curiosidade e expectativa que recebemos da GM/Chevrolet, para avaliação, uma unidade do Bolt EV, o primeiro carro 100% elétrico da marca norte-americana, que desde fevereiro está disponível no Brasil, onde, segundo relatório da Fenabrave – a associação de revendedores -, emplacou 123 unidades.

A primeira boa novidade é que com a nova geração de baterias que recebeu, o Bolt agora tem autonomia de até 416 quilômetros.

A dificuldade é o tempo de recarga que essas baterias exigem para serem recarregadas, dependendo da “tomada” utilizada. Em tomadas comuns adaptadas para receber o cabo de recarga (Cordset - 220V-2,2 kVA), que vem como item de série no veículo, podem demorar até dois dias para a recarga total. Mas utilizando-se o carregador próprio, (Wallbox 220 V – 7,4 kVA) o tempo de recarga completa é de aproximadamente 10 horas. No modo de carregamento “ultrarrápido” (CC) a carga de 30 minutos permite percorrer 160 km. O equipamento Wallbox para carga rápida pode ser adquirido diretamente da concessionária Chevrolet ao preço sugerido de aproximadamente R$ 7 mil, informou a montadora.

O Bolt EV, segundo a montadora, é um crossover. Seu formato é de um hatch de maior dimensão.O

O que alivia um pouco a dificuldade das longas horas para recarga é a relativamente longa autonomia de até 416 quilômetros, que permite, com planejamento de uso, rodar e dar carga na bateria sem ficar apreensivo com essa questão.

Em nossa rápida experiência com o Bolt rodamos mais de 300 quilômetros, sendo que no final o marcador da autonomia estava pouco abaixo da metade da capacidade total.

O Bolt EV, segundo a montadora, é um crossover que se destaca pelo design inteligente. Seu formato é de um hatch de maior dimensão (4.165 mm de comprimento, 1.765 mm de largura e 1.595 mm de altura), com excelente espaço interno, muito conforto e ótima capacidade de carga (478 litros a 1.603 litros 9com os bancos traseiros rebatidos). As baterias ficam localizadas sob o assoalho plano e o motor elétrico é bastante compacto. Dirigir Bolt é divertido e agradável, principalmente em decorrência de suas imediatas respostas aos comandos do acelerador. A sensação de segurança e preciso controle de todo o entorno é consequência da visível robustez de todo o conjunto do automóvel e do excelente nível de equipamentos que o modelo oferece. Como concorrente direto, em nossa análise, colocamos o BMW i3, por suas características de design e conjunto moto propulsor e preço sugerido, muito próximo ao do Bolt EV.

O nível de carga das baterias pode ser verificado pelo monitor central. Autonomia é de até 416 km.A versão única do Bolt EV trazida para o mercado brasileiro é a mais sofisticada, Premier, já equipada com as baterias de nova geração, que garantem autonomia média de até 416 quilômetros, de acordo com o ciclo norte-americano EPA. O preço sugerido para o Brasil é de R$ 274 mil. Já para os paulistas o preço é mais salgado (R$ 279 mil), graças ao recente aumento das alíquotas de ICMS que o governador de São Paulo impôs naquele estado.

O Bolt EV está sendo ofertado inicialmente em 12 cidades. São elas: São Paulo, Campinas, São José dos Campos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Florianópolis, Joinville (SC), Recife (PE) e Vitória (ES).

Como em todos os automóveis propulsionados por motores elétricos, o torque do Bolt é alto, rápido e impressionante. Arrancadas de 0 a 100 km/h podem ser feitas em aproximadamente 7 segundos. Isto porque o conjunto propulsor entrega 203 cv de potência e 36,7 kgfm de torque em qualquer faixa de rotação. Isso influencia também as retomadas, também vigorosas, o que contribui para a segurança em ultrapassagens.

Ainda no tema segurança, o Bolt EV traz 10 airbags, assistente de permanência na faixa, alerta de ponto cego, aviso de tráfego traseiro cruzado, alerta de colisão frontal e sistema de frenagem automática com detecção de pedestres para mitigar acidentes.

Outro equipamento que contribui na sofisticação do Bolt são as câmeras de alta definição para visão 360 graus que auxiliam manobras de estacionamento e ficam localizadas nas extremidades do veículo, melhorando a visibilidade. O veículo conta com uma tecnologia que transforma o espelho retrovisor central numa tela que projeta imagens da parte traseira em maior ângulo e sem obstruções.

Uma das soluções relevantes que o Bolt incorpora é o modo de direção “One Pedal”, com sistema regenerativo dos freios. Ou seja, em situações de frenagens e desacelerações, o sistema aproveita a energia dissipada para ampliar sua autonomia.

O Bolt EV chega ao Brasil equipado com uma nova geração de baterias (10% mais eficiente devido a nova composição de seus elementos químicos), com 66 kWh de capacidade, configuração recém-lançada nos Estados Unidos, onde o produto é produzido na fábrica da GM de Orion, perto de Detroit.

Motor elétrico é compacto e de manutenção mais simples e barata, afirma a GM.

O fabricante informa que “hoje, o custo estimado por quilômetro rodado do elétrico da Chevrolet é até quatro vezes inferior ao de um modelo flex do mesmo porte – e inferior ao de híbridos também”.

O Bolt já vem preparado para a recarga em eletropostos de alta voltagem, onde bastam 30 minutos de recarga para o carro rodar mais cerca de 160 km. O Bolt EV conta com garantia de três anos para o veículo e de oito anos para as baterias de íon-lítio.

O plano de revisão segue o padrão global da marca para carros elétricos, que tem uma manutenção bem mais simplificada do que os modelos a combustão tradicionais que necessitam de troca de óleo, velas, correia e diversos filtros, por exemplo.

Até os 240.000 km (ou 5 anos), os principais serviços de revisão do Bolt EV se concentram nas trocas de itens de desgaste decorrentes do uso do veículo, como o filtro ar-condicionado e as pastilhas dos freios.

Fábio Doyle