Ousadia sensual

08/04/2013

SÃO PAULO (*) - Com a linha DS, a francesa Citroën pede acesso ao clube muito especial de fabricantes, hoje composto basicamente das marcas Audi, Mercedes-Benz, BMW e Volvo. A marca DS, que em francês lê-se como déesse, deusa, é representativa a uma linha de produtos que pretende ser reverenciada como uma divindade feminina.

A experiência no Brasil começou com o DS3, um compacto hatch de duas portas sobre a plataforma do C3, passou pelo DS5, o maior da linha sobre a plataforma do C5 e agora é a vez do DS4, um cupê com quatro portas (ou cinco de considerarmos a tampa do porta-malas).

A diretriz dada aos criadores do DS foi inovar em todos os sentidos, no estilo, no acabamento, na arquitetura, na tecnologia embarcada, no prazer ao dirigir.

Como ressaltou Franceso Abbruzzessi, diretor geral da Citroën do Brasil, o que diferencia o DS4 dos demais carros desse segmento é que ele “tem tudo”. Chega ao mercado brasileiro neste mês de março em uma única versão, completíssimo, sem opcionais e a um preço aparentemente competitivo: R$ 99.900. A garantia é de três anos.

Citroën DS4 com design "escultural", que levar a marca para a categoria premiun

Ele vem de série com para-brisa panorâmico (semelhante ao do C3, porém mais discreto e individualizado), sistema de ajuda à baliza com avaliação do espaço disponível, sistema de navegação GPS eMyWay com mapa do Brasil e tela colorida 16/9, faróis bixênon autodirecionais com dispositivo adicional de iluminação estática de cruzamento, faróis diurnos, dispositivo de alerta de ponto cego nos retrovisores externos, para citar alguns.

Sob o capô fica o motor THP 165, com caixa de marchas automática com modo sequencial de seis marchas. É um motor BMW, que equipa o Mini, alguns modelos Peugeot e os Citroën DS. Esse propulsor já provou sua eficiência em termos de potência, desempenho e economia em todos os não poucos modelos que o utiliza. No percurso ida e volta entre o shopping JK de São Paulo e a cidade de São Roque (cerca de 140 km) o 1.6 turbo desenvolvido pela BMW fez bonito. Mostrou ser silencioso, rápido nas respostas, suave e econômico.

Com detalhes em alto relevo, que além do aspecto estético têm também funções aerodinâmicas, o DS4 parece ter sido esculpido, e não apenas desenhado. Seu visual chama a atenção, como foi possível comprovar no passeio pelos congestionamentos de São Paulo. O estilo, como ressalta o projetista Olivier Vincent, responsável pelo estilo exterior do DS4, é “ao mesmo tempo forte, dinâmico e protetor”. É marcante o destaque das portas traseiras “invisíveis”, uma solução que nasceu com o velho, mas ainda atual estilo do Alfa Romeo 156 e é hoje adotada por outras marcas, mas em nenhuma com o primor do DS4. É a mais invisível de todas.

A silhueta é de um cupê elevado, que transmite robustez e indica estar preparado para rodar sem percalços e raspadas sobre as lombadas, irregularidades, buracos e valas que proliferam no péssimo piso das ruas, avenidas e estradas brasileiras. Enquanto os demais DS estão a uma distância do solo de 18 cm, a do DS4 é de 23 cm explicou Jeremie Martinez, chefe de Produto do DS4. As rodas são de 18 polegadas.

Design do Citroën DS4 é marcado pelas portas traseiras "invisíveis"O Citroën DS4 chega às concessionárias em quatro opções de cores para a carroceria: Noir Perla Nera (preto metálico), Gris Shark (cinza metálico), Rouge Babylone (vermelho perolizado) e Blanc Nacré (branco perolizado).

No interior chama a atenção o revestimento em couro natural em duas cores, lembrando que os bancos dianteiros têm massageadores. O do motorista é de ajuste elétrico e o do passageiro manual. Alegando serem politicamente corretos, muitos carros premium, como o Mercedes Benz C180, por exemplo, passaram a adotar o que chamam de couro ecológico (ou sintético). Mas não há como comparar um acabamento em couro natural. É uma desculpa esfarrapada para não dizer que a questão é custo.

Com comprimento de 4,27 m, largura de 1,81 m e altura de 1,53 m, o Citroën DS4 é um carro compacto. No entanto foi projetado com o desafio de ser polivalente. O acesso ao banco de trás é facilitado pelas portas traseiras “invisíveis” e seu porta malas com volume de 359 litros é de bom tamanho para um compacto.

O motor THP 165 (iniciais de “Turbo Haute Pression”), com 1.598 cm³ e turbocompressor de alta pressão com intercooler, possui quatro cilindros e 16 válvulas. Desenvolvido em parceria entre a PSA Peugeot Citroën e a BMW, ele proporciona alta potência com baixo consumo, baixo peso e níveis pequenos de emissões.

Visual do Citroën DS4 agrada em qualquer ânguloEsse motor oferece potência máxima de 165 cv a 6.000 rpm e torque máximo de 240 Nm (24,5 kgfm), que é atingido a .400 rpm, permanecendo constante até 4.000 rpm. O conjunto permite ao DS4 acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 8,6 segundos e atingir 212 km/h.

A bordo do Citroën DS4, os ocupantes têm (de série) a seu dispor sistema de navegação GPS eMyWay com mapa detalhado do Brasil, central multimídia com CD, MP3, espacialização do som Arkamys e comandos no volante. O sistema conta ainda com uma entrada UBS e um kit viva voz Bluetooth.

No Citroën DS4, que traz seis airbags, a segurança é enfatizada por tecnologias de ajuda à direção, tais como o REF (repartidor eletrônico de frenagem), o AFU (ajuda à frenagem de urgência) e o ESP (controle dinâmico de estabilidade).

Interior do Citroën DS4 tem requinte, com acabamento em couro sintético.

Um carro especial e sofisticado, o Citroën DS4, não tem grandes pretensões em volume de vendas. Seus principais concorrentes, segundo Abbruzzessi, são o Audi A3, o Audi A1 Sportback, o Mercedes-Benz Classe A e a BMW Série 1.

(*) O jornalista viajou a convite da Citroën do Brasil

Fábio Doyle